O Santuário do Cristo Redentor assinou nesta sexta-feira (21) um acordo com a empresa Green Initiative International para iniciar um processo de certificação internacional que visa reduzir e compensar o impacto ambiental gerado pelo turismo no monumento. O trabalho prevê levantamento das emissões associadas às visitas e a identificação de medidas de mitigação e compensação.
Escopo do diagnóstico e metas de certificação
Segundo o termo firmado, o diagnóstico incluirá a identificação das fontes de emissões no dia a dia das operações do Santuário e o cálculo da captura de carbono realizada pelas áreas de Mata Atlântica no entorno do monumento. A partir desses dados será elaborado um Plano de Ação Climática com medidas de curto e médio prazo.
Com a conclusão do processo, o Santuário poderá buscar uma das duas certificações mencionadas no acordo:
- Climate Positive: certificação que demonstra que as medidas de compensação superam as emissões do local, resultando em contribuição líquida positiva para o clima;
- Carbon Neutral: certificação que atesta a neutralização das emissões produzidas pelo atrativo.
Contexto do turismo e desafio operacional
O Santuário informou que o Cristo Redentor alcançou em 2025 um fluxo recorde de visitantes, cerca de 1,5 milhão de pessoas. Entre os picos registrados, destaca-se o dia 1º de janeiro do ano passado, quando o monumento recebeu aproximadamente 20 mil visitantes em um único dia. O Ministério do Turismo confirma que o local é um dos dez pontos turísticos do país mais procurados por estrangeiros.
| Ano / Dia | Dado |
|---|---|
| 2025 | ~1,5 milhão de visitantes no ano |
| 1º de janeiro (ano anterior) | ~20 mil visitantes em um dia |
A cooperação com a Green Initiative International prevê suporte técnico para a elaboração do plano de mitigação e a busca de recursos para implementar as ações, sem custos para o Santuário. A empresa já prestou serviço semelhante a outros sítios turísticos, incluindo gestores de Machu Picchu, no Peru.
Implicações ambientais e próximas etapas
O levantamento a ser realizado pelo Santuário tem duplo objetivo: quantificar emissões diretas e indiretas associadas ao funcionamento do monumento e mensurar o potencial de captura de carbono pelas áreas florestais próximas, para calibrar medidas compensatórias. Esses dados servirão de base para ações que podem incluir mudanças operacionais, restauração de vegetação e iniciativas de redução de emissões.
O processo de certificação está alinhado a decisões práticas de gestão: além de demonstrar conformidade climática, as certificações podem influenciar o planejamento de visitantes, políticas de mobilidade e investimentos em infraestrutura de baixo carbono no entorno do atrativo. Por se tratar de um dos cartões-postais nacionais, qualquer mudança terá impacto direto sobre a experiência turística e sobre políticas de conservação da Mata Atlântica na região.
O termo assinado prevê etapas técnicas que serão detalhadas ao longo do diagnóstico. Entre as ações iniciais previstas estão:
- Levantamento das fontes de emissões diretas e indiretas do Santuário;
- Cálculo da captura de carbono pelas áreas de Mata Atlântica no entorno;
- Elaboração do Plano de Ação Climática com medidas de curto e médio prazo;
- Busca de recursos para implementação, com suporte da Green Initiative, sem custos ao Santuário.
O monumento completará 100 anos em 2031. A iniciativa de certificação projeta o monumento no debate sobre turismo sustentável e mudanças climáticas, ao trazer para o centro da gestão patrimonial a necessidade de medir, reduzir e compensar emissões associadas a atividades turísticas de grande escala.