O Conselho Regional de Educação Física da 5ª Região (CREF5/CE) acendeu um alerta sobre os riscos de seguir treinos disponíveis em redes sociais ou produzidos por ferramentas de inteligência artificial sem avaliação profissional. Segundo o órgão, a reprodução mecânica de sequências de exercícios desconsidera a individualidade biológica e pode aumentar a probabilidade de lesões por erro de intensidade e execução.
Orientação profissional e avaliação prévia
Em atividades realizadas ao longo de setembro, em Fortaleza e no interior do Ceará, o CREF5 tem promovido ações gratuitas para orientar a população sobre cuidados antes de iniciar qualquer programa de exercícios. O conselho enfatiza que a primeira etapa deve ser uma avaliação individualizada, que leve em conta histórico de saúde, limitações físicas e objetivos pessoais.
O presidente do CREF5, Rennê Mazza, ressaltou a importância de verificar a habilitação do profissional responsável pela prescrição do treino. Em suas palavras:
"A primeira preocupação que a gente tem que ter é com a segurança. Então saber se esse treino online está sendo prescrito por um profissional"
Além da verificação do registro profissional, o CREF5 orienta que a avaliação inicial inclua checagem de condições preexistentes, lesões anteriores e limitações de mobilidade que possam exigir adaptações no programa de exercícios.
Riscos específicos e recomendações práticas
Entre os riscos citados pelo conselho estão:
- Lesões por progressão inadequada de carga e intensidade;
- Execução incorreta de movimentos que sobrecarregam articulações e tendões;
- Ausência de adaptação de exercícios para condições clínicas ou idade.
O CREF5 chama atenção especial para pessoas que retomam ou iniciam atividade física após os 40 anos. Nesse grupo, a progressão gradual e o fortalecimento muscular são apontados como medidas cruciais para prevenir quedas, preservar autonomia e reduzir risco de lesões.
| Problema | Orientação do CREF5 |
|---|---|
| Treinos padronizados por redes sociais/IA | Avaliação individual e prescrição por profissional registrado |
| Iniciantes e maiores de 40 anos | Progressão gradual e foco no fortalecimento muscular |
| Profissionais sem registro | Confirmar registro no conselho e denunciar atuação irregular |
O conselho também orienta que usuários chequem se o instrutor possui registro e oferece canais para denunciar prática irregular. A medida visa resguardar a segurança pública e a qualidade da prescrição de exercícios no país.
Contexto e consequências
Nos últimos anos, plataformas digitais ampliaram o acesso a orientações de treinamento, mas nem sempre há garantia de qualidade técnica ou adaptação às condições individuais. Isso torna mais frequente a tentativa de aplicar rotinas genéricas em populações heterogêneas — cenário que pode elevar a demanda por atendimento clínico devido a lesões músculo‑esqueléticas.
Profissionais de educação física e órgãos reguladores destacam que conteúdo informativo nas redes pode ser útil como motivador ou complemento, mas não substitui a prescrição personalizada. Em casos de condições médicas prévias, como problemas cardíacos, diabetes ou histórico de lesões, a consulta a profissionais qualificados é indispensável.
Esta reportagem reforça que informações gerais não substituem avaliação presencial. Para segurança e eficácia, recomenda-se procurar profissionais habilitados, seguir avaliação inicial e adotar progressões de carga e técnica orientadas por especialistas.
Reportagem produzida com informações do Conselho Regional de Educação Física da 5ª Região (CREF5/CE). A matéria visa orientar o leitor — não substitui avaliação ou tratamento realizado por profissionais de saúde ou educação física.