A Romão Tecnologias Industriais, fundada em 1998 no Estado do Rio de Janeiro, assinou em 2026 o seu terceiro contrato de crédito voltado à inovação com a Agência de Fomento do Estado do Rio (AgeRio). A operação utiliza recursos da linha Inovacred, vinculada à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e será destinada ao processo de internacionalização da indústria, com foco em mercados como Argentina, Chile e África.
Financiamento como alavanca para desenvolvimento tecnológico
Segundo o histórico divulgado pela empresa e pela agência, a relação entre Romão e AgeRio começou em 2015 e foi determinante para marcos técnicos e comerciais da empresa. Em 2015, um financiamento permitiu a certificação internacional das válvulas PVRV, ampliando a atuação da fabricante junto a grandes operadores do setor de óleo e gás. Em 2021, outro contrato viabilizou o desenvolvimento do teto domo geodésico de alumínio para tanques de armazenamento, produto que transformou a Romão na única fabricante desse tipo na América Latina.
O crédito contratado em 2026 terá como objetivo fortalecer a presença externa da indústria, com ênfase em mercados na América do Sul e no continente africano. A empresa descreve a linha de crédito como elemento estratégico num momento em que, segundo a própria afirmação da companhia, o crédito para inovação é escasso e caro.
“Ter uma agência fluminense que reconhece o nosso perfil e oferece crédito adequado foi fundamental para que a Romão construísse uma trajetória consistente de desenvolvimento tecnológico. Reconhecemos a AgeRio como uma instituição que acredita no potencial industrial do Estado do Rio. Em uma época em que o crédito para inovação é escasso e caro, esse relacionamento tem valor estratégico real para a Romão”
O trecho acima é de Oscar Romão, sócio-proprietário da empresa, e ilustra a percepção do setor produtivo sobre o papel de agências de fomento locais no financiamento de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I).
Resultados práticos e riscos
O caso Romão evidencia dois efeitos esperados de financiamento público à inovação: a certificação técnica para acesso a grandes contratos e a diferenciação de portfólio via produtos únicos no mercado regional. Ao mesmo tempo, a estratégia de internacionalização traz riscos e exigências adicionais, como adaptação a normas e concorrência externas, logística e suporte comercial em países com estruturas regulatórias distintas.
Para empresas que desenvolvem equipamentos para armazenamento e proteção de líquidos voláteis — segmento ligado a petróleo e derivados —, a conformidade técnica e a certificação internacional são pré-requisitos para disputar contratos com operadores globais. Os créditos de inovação, quando bem direcionados, reduzem a barreira inicial de investimentos em testes, certificações e escalonamento produtivo.
- 2015: financiamento para certificação internacional das válvulas PVRV.
- 2021: apoio financeiro ao desenvolvimento do teto domo geodésico de alumínio.
- 2026: terceiro contrato na linha Inovacred, destinado à internacionalização.
| Ano | Marco |
|---|---|
| 2015 | Certificação internacional das válvulas PVRV |
| 2021 | Desenvolvimento do teto domo geodésico de alumínio |
| 2026 | Crédito para expansão internacional (Argentina, Chile, África) |
Embora a publicação não traga valores financeiros, o histórico descrito reforça a importância de linhas como a Inovacred, operada pela Finep, para empresas de porte médio que buscam escala tecnológica e acesso a novos mercados. A atuação de agências de fomento estaduais, como a AgeRio, aparece como ponte entre a política federal de inovação e a demanda local por capital técnico e comercial.
Do ponto de vista do setor, a manutenção e a ampliação de linhas de crédito para inovação tendem a ser necessárias para que indústrias brasileiras convertam conhecimento técnico em vantagem competitiva, especialmente em segmentos com elevado custo de certificação e homologação. No entanto, a dependência de fontes públicas também pode fragilizar empresas em cenários de redução de recursos ou mudança de políticas de fomento, o que exige planejamento financeiro e diversificação de receitas.
O caso da Romão serve como exemplo prático de como financiamento público pode acelerar produtos diferenciados e abrir portas no exterior — ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de estratégias robustas para lidar com os desafios administrativos e comerciais da internacionalização.