A cesta básica em Fortaleza teve queda de 6,39% em julho, passando a custar R$ 769,88, segundo levantamento conjunto da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A principal responsável pela redução foi a forte desvalorização do tomate, cujo preço recuou 31,81% no mês.
O que pesou na variação
Das 12 categorias que compõem a cesta básica considerada para o estudo, nove registraram queda em julho, o que explica a redução do valor médio. Entre os itens que mais contribuíram para a deflação estão:
- Tomate: -31,81%
- Açúcar: -2,75%
- Café: -1,25%
Em contraste, alguns produtos subiram e reduziram parte do alívio no gasto total:
- Farinha: +3,04%
- Feijão: +2,84% (foi o item que mais pressionou o orçamento no acumulado de 12 meses)
- Leite: +2,5%
Impacto sobre o trabalhador
Com base no salário mínimo vigente de R$ 1.621,00 e uma jornada de 220 horas, a pesquisa mostra que um trabalhador que recebe o mínimo precisou dedicar 104 horas e 29 minutos de trabalho para comprar a cesta básica em Fortaleza no mês de julho. Considerando o desconto de 7,5% para a Previdência, o gasto comprometeu 51,35% do salário líquido desses trabalhadores.
Contexto nacional
A redução de preços observada em Fortaleza ocorreu num cenário mais amplo: houve queda da cesta em 26 de 27 capitais pesquisadas, e Fortaleza apresentou a nona maior retração do país. No ranking de custo por capital, São Paulo manteve a cesta mais cara, em R$ 915,01. A partir dos valores calculados pelas instituições, o chamado salário mínimo ideal — que cobre o custo da cesta e outras necessidades segundo a metodologia aplicada — foi estimado em R$ 7.687,00.
Consequências e notas técnicas
A forte queda no preço do tomate é um fator sazonal e de oferta que tende a refletir condições específicas de produção, safra e logística. Já a alta acumulada do feijão no último ano, com aumento superior a 57% segundo o levantamento, evidencia pressões distintas sobre produtos que compõem a dieta básica de famílias de menor renda.
Quedas generalizadas nas capitais reduzem o custo da alimentação, mas não eliminam a vulnerabilidade das famílias cuja renda é limitada: o comprometimento de mais da metade do salário mínimo líquido apenas para a cesta básica demonstra que eventuais reduções de preço são relevantes, mas insuficientes para restaurar poder de compra perdido ao longo do tempo.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Variação da cesta em Fortaleza (julho) | -6,39% |
| Valor da cesta | R$ 769,88 |
| Tomate (variação) | -31,81% |
| Salário mínimo atual | R$ 1.621,00 |
| Comprometimento do salário líquido | 51,35% |
Os dados da Conab e do Dieese permitem acompanhar tanto movimentos pontuais de preços quanto tendências que afetam a renda real das famílias. Para o consumidor, quedas como a do tomate aliviam a inflação de curto prazo; para a política pública, o desafio permanece em garantir renda suficiente e estabilidade nos preços dos alimentos essenciais.
Este acompanhamento mensal segue sendo ferramenta para monitorar a evolução do custo de vida nas capitais e orientar debates sobre políticas de renda e de abastecimento.