A Assembleia Legislativa da Bolívia aprovou nesta terça-feira uma moção de censura contra o ministro da Economia, José Gabriel Espinoza, decisão que acarreta sua destituição obrigatória e representa um revés político para o presidente Rodrigo Paz. A votação ocorreu com a participação de 129 deputados e terminou em 91 votos a favor, 34 contra e 4 abstenções.
Motivos da censura e contexto
A iniciativa de censura foi motivada pelo não comparecimento do ministro ao Congresso para prestar esclarecimentos sobre sua gestão da economia, da política monetária e do planejamento macroeconômico. Espinoza informou que precisou viajar a Santa Cruz para tratar de problemas de abastecimento de diesel antes de seguir para o Brasil, mas a justificativa não afastou a insatisfação parlamentar.
“Estamos chegando ao décimo mês de governo e ainda arrastamos a mesma crise econômica”, disse o deputado da oposição Antonio Muriel durante a sessão parlamentar.
Na Bolívia, a moção de censura tem efeito imediato de destituição: o presidente tem até 24 horas para providenciar a saída formal do ministro após o recebimento da notificação da decisão legislativa.
Consequências para a política econômica e o relacionamento com o FMI
A demissão do chefe da pasta econômica ocorre em momento delicado para o governo de Paz. O Executivo busca apoio do Congresso para um conjunto de reformas e para a aprovação de um programa de financiamento negociado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), discutido em julho, que ainda exige aval do Congresso boliviano e do Conselho Executivo do próprio FMI. Autoridades do país avaliam o pacote como essencial para estabilizar a economia e atenuar a persistente escassez de combustíveis e divisas.
Espinoza havia se tornado, desde sua nomeação em novembro de 2025, um dos principais formuladores da política econômica do governo e desempenhado papel central nas negociações com o FMI. A saída obrigatória do ministro pode atrasar ou reconfigurar o cronograma das tratativas com o organismo multilateral, dependendo da escolha do sucessor e da reação política no Parlamento.
Críticas públicas e fatores adicionais
Além do episódio do não comparecimento ao Congresso, nos últimos dias Espinoza foi alvo de críticas por suposta compra de um veículo Audi por um preço declarado abaixo do valor de mercado. O então ministro afirmou que a divergência nos valores decorreu de um erro administrativo. Ainda assim, a combinação de insatisfação parlamentar, questões de gestão e a crise de abastecimento contribuiu para a pressão que culminou na moção.
- Votação: 129 deputados presentes; 91 a favor, 34 contra, 4 abstenções.
- Prazo: presidente tem 24 horas para efetivar a destituição.
- Impacto: risco de atraso nas negociações com o FMI e maior instabilidade política em meio a escassez de combustível e divisas.
A saída de Espinoza deixa o Executivo com a necessidade imediata de indicar substituto que consiga recuperar diálogo com o Congresso e garantir continuidade nas negociações com credores externos. Também circunstancia um teste para a capacidade do governo de Paz de segurar sua agenda econômica em um cenário de crescente pressão social e problemas operacionais no abastecimento de combustíveis.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Votos a favor | 91 |
| Votos contra | 34 |
| Abstenções | 4 |
| Total de deputados presentes | 129 |
O episódio também tem relação direta com o cotidiano econômico: a escassez de combustíveis afeta transporte e produção, enquanto a falta de divisas limita importações e pressiona a estabilidade cambial. Para um país que negociava um programa com o FMI, a instabilidade no comando da economia reduz previsibilidade e pode elevar o custo político e econômico de ajustar políticas necessárias para restaurar confiança.
Resta acompanhar as próximas horas, quando o presidente deverá formalizar a saída do ministro e indicar substituto, e os desdobramentos do Congresso sobre o calendário para apreciação do programa com o FMI.