Ferramentas de Inteligência Artificial começam a integrar de forma prática a rotina de escritórios de advocacia em Mato Grosso do Sul, segundo oficina promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil — seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS). O encontro, que abriu a programação da Semana do Advogado em Campo Grande, discutiu aplicações concretas da tecnologia para reduzir tarefas administrativas e organizar processos internos, mantendo a decisão jurídica sob responsabilidade humana.
Do operacional ao estratégico
Participantes relataram que a IA tem sido empregada para absorver atividades repetitivas e operacionais, liberando advogados e equipes para funções que exigem conhecimento técnico, estratégia e contato com clientes. A advogada Suyane Liuti foi citada como exemplo de profissional que já observa mudanças no funcionamento de seu escritório decorrentes da adoção dessas ferramentas.
Nos relatos apresentados durante a oficina, as ferramentas passaram a executar tarefas que antes consumiam tempo de trabalho administrativo, como organização de documentos e automação de procedimentos internos. A proposta, segundo os organizadores, não é substituir a atuação jurídica, mas permitir que o profissional concentre-se em análises, decisões e atendimento qualificado.
Cuidados e limites na delegação
Os debatedores destacaram, no entanto, que a incorporação da tecnologia exige cuidados. A revisão humana dos resultados e a manutenção da responsabilidade técnica pelo advogado foram enfatizadas como premissas inegociáveis. Profissionais alertaram para a necessidade de avaliar até que ponto tarefas podem ser delegadas às máquinas, preservando a qualidade e a segurança jurídica dos serviços.
- Benefícios apontados: redução de demandas administrativas, organização de informações e ganho de eficiência operacional.
- Riscos e desafios: necessidade de revisão humana, limites éticos e técnicos na automação de decisões jurídicas, e responsabilidade profissional.
- Objetivo da adoção: transferir trabalho repetitivo às ferramentas para aumentar o foco em atividades estratégicas e de análise.
Implicações práticas e profissionais
A oficina foi promovida pela Comissão de Tecnologia e Inteligência Artificial da OAB-MS no plenário da entidade, indicando que o tema ocupa espaço nas discussões institucionais da advocacia. A presença de profissionais e a troca de experiências, como os relatos da advogada citada, ajudam a mapear tanto as possibilidades práticas quanto os cuidados necessários para incorporar essas soluções ao cotidiano profissional.
Especialistas consultados na atividade reforçaram que, mesmo quando a IA atua como apoio, quem responde tecnicamente pelos atos permanece sendo o advogado. Assim, a adoção da tecnologia demanda políticas internas de uso, protocolos de verificação de conteúdo gerado e atenção à proteção de dados e sigilo profissional.
| Aspecto | O que muda |
|---|---|
| Rotina administrativa | Automação de tarefas repetitivas e organização documental |
| Atuação do advogado | Maior foco em análise técnica, estratégia e relacionamento com clientes |
| Responsabilidade | Revisão humana e manutenção da responsabilidade técnica pelo profissional |
O debate em Campo Grande espelha uma tendência mais ampla: setores profissionais que lidam com informação estruturada e documental estão entre os primeiros a adotar automações baseadas em IA para ganhos de produtividade. No entanto, a natureza da atividade jurídica — que envolve interpretação normativa, ética profissional e consequências legais — exige cautela no desenho dessas soluções.
Ao colocar o tema na agenda da Semana do Advogado, a OAB-MS sinaliza a necessidade de preparar a classe para integrar tecnologias emergentes sem abrir mão de salvaguardas. A experiência relatada por advogados que já utilizam IA serve como referência, mas também como lembrete de que automação e supervisão humana devem caminhar juntas.
Com a disseminação dessas ferramentas, continuará sendo necessário acompanhar de perto efeitos práticos na qualidade do serviço, na proteção de dados dos clientes e no cumprimento das normas éticas da profissão.