A Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) apresentou aos presidenciáveis um conjunto de propostas que busca ampliar a integração entre os modais de transporte e enfrentar a escassez de profissionais na área, com foco no período 2027-2030. O documento, intitulado Carta Aberta aos presidenciáveis, reúne quatro prioridades que a entidade considera essenciais para melhorar a eficiência das cadeias de abastecimento e reduzir custos no país.
Principais demandas
A ABOL defende que a multimodalidade passe a ser tratada como uma política pública permanente, articulada com o setor privado para superar gargalos estruturais. Entre as medidas indicadas está a criação de uma Governança Nacional da Multimodalidade, com responsabilidade por coordenar políticas e investimentos, além de promover a integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos.
A associação também aponta a necessidade de modernizar conexões físicas entre os modais, integrar procedimentos legais e documentais e ampliar a capacidade de armazenagem — especialmente silos — diante do crescimento na produção agrícola.
Investimentos e capacidade atual
Para a ABOL, a escala de investimentos em infraestrutura de transporte é insuficiente para a conservação, modernização e expansão necessárias. O documento cita que o Brasil aplica cerca de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) ao setor de transportes por ano, frente a uma estimativa de demanda anual próxima de 2% do PIB.
| Indicador | Valor citado |
|---|---|
| Participação de operadores que oferecem serviços intermodal/multimodal | 31% |
| Investimento anual atual em transporte (em % do PIB) | 0,7% |
| Investimento anual estimado necessário (em % do PIB) | 2% |
Formação e mercado de trabalho
Outra frente do documento trata do futuro do trabalho na logística. A ABOL alerta para a escassez de profissionais em áreas-chave — motoristas, trabalhadores de armazém e especialistas em tecnologias emergentes — que podem limitar a expansão da oferta de serviços multimodais.
Como respostas organizacionais, a associação propõe medidas voltadas à formação profissional, oferta de mecanismos de financiamento e maior previsibilidade regulatória. Segundo o texto, tais ações são necessárias para elevar a parcela de operadores capazes de prover serviços integrados: hoje apenas 31% das empresas do setor realizam operações efetivamente intermodais ou multimodais.
- Criação de uma governança federal específica para multimodalidade;
- Modernização de conexões físicas e de procedimentos documentais entre modais;
- Ampliação de capacidade de armazenagem para suportar o crescimento agrícola;
- Política nacional voltada ao futuro do trabalho na logística, com ênfase em formação e tecnologia;
- Mecanismos de financiamento e estabilidade regulatória para fomentar operações multimodais.
Implicações práticas para o dia a dia
Na prática, a concretização das propostas impactaria o custo e a velocidade de deslocamento de mercadorias, com reflexos nos preços ao consumidor e na competitividade das exportações. Rotas mais integradas podem reduzir custos de transporte e tempo de entrega, enquanto maior capacidade de armazenagem diminui perdas sazonais e melhora a previsibilidade de abastecimento.
No mercado de trabalho, programas de formação e qualificação indicados pela ABOL tenderiam a ampliar a oferta de mão de obra qualificada, reduzindo gargalos operacionais em centros de distribuição e terminais intermodais. A adoção de tecnologias, por sua vez, exige profissionais capacitados para operar e manter sistemas digitais e automatizados.
A proposta da ABOL chega ao debate eleitoral como um diagnóstico setorial com sugestões concretas de governança e financiamento. Cabe aos candidatos explicitar se e como integrariam essas medidas em seus programas de governo, detalhando prazos, fontes de recursos e mecanismos de implementação.